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20 de ago de 2012

Levantamento: breve relato da minha odisseia alimentar

Imagem: Coisas da Ká

Iniciando meu levantamento então... A Roberta Alves (veja post anterior para entender melhor) propõe o seguinte:

"Imagine que alguém lhe peça para que faça um relatório sobre o momento pelo qual você passa agora, um levantamento desde o início de sua existência até o presente. Não precisa ser algo muito longo, mas que possibilite a você visualizar o que há de bom e pode ser melhor aproveitado, o que pode se manter da forma que está, o que necessita mudar e aquilo que dever ser descartado de sua vida. Faça isso da forma mais sincera possível com você mesmo."

Bom, vamos lá (isso daria um novo post!):

Vou tentar me ater à questão da alimentação na minha vida. 

Quando criança - e até hoje - tinha dificuldades para ingerir alimentos dos quais não gostava, principalmente verduras e legumes. Também tinha resistência para provar alimentos novos, mas às vezes cedia. Mas a briga com as verduras e legumes era ferrenha. Minha mãe dizia que eu só poderia comer sobremesa caso "limpasse" o prato. Muitas vezes, eu enchia bem a boca com as verduras e ia ao banheiro, sob o pretexto de evacuar; mas, na realidade, jogava fora no vaso a comida que estava na boca e dava descarga.

O que eu mais gostava de comer nessa época era massas, queijos, salgadinhos tipo chips, doces de compota, sorvete... nada muito diferente do que ainda gosto muito de comer.

Papai não deixava ficar comendo porcarias, ainda mais fora de hora. Às vezes comprava uma caixa de chocolates, às vezes picolé... mas não era muito comum, e era aquele esquema: só pode comer depois de almoçar tudo. 

Quando íamos às compras com eles, como qualquer criança, minha irmã e eu queríamos levar chicletes e salgadinhos para casa. Chicletes eram terminantemente proibidos, pois estragam os dentes e, além disso, quem os masca costuma jogá-los nos lugares mais impróprios - atitude a qual meu pai odiava. Era uma novela para pedir ao papai para comprar um pacote de Skinny:

- Pede pro papai.
- Ah não, pede você.
- Pede lá você, por favor!

Tínhamos medo de pedir pro meu pai comprar besteiras e ele brigar.

Bom, me tornei adolescente, ainda sem ânimo algum pra comer verduras e legumes. Mas frutas eu adorava - e ainda gosto muito (tô percebendo que minha alimentação pouco mudou, na realidade).

Até então, sempre havia sido magrinha, né. Entretanto, achava que era um pouco gordinha, tinha vergonha de usar roupas mais justas. Até que os garotos da igreja começaram a elogiar minha forma física, e aí percebi que estava tudo certo.

As paixonites desta época me ensinaram a descontar minhas frustrações e desilusões na comida. Quando estava na "fossa", como se costumava dizer na época, chegava a devorar uma barra inteira de chocolate de uma vez. Também comprava caixa de bombom e escondia, pra poder comer tudo sozinha.

Passei na faculdade e fui estudar à noite. Pouco tempo depois, comecei a trabalhar. Muita mudança na minha rotina e na minha cabeça (amadurecendo...).

Comecei a comer errado: salgado todo santo dia na faculdade. De vez em quando, um bombom caseiro, de uma garota que vendia para pagar seus estudos. E cada vez mais presa no vício de desafogar as mágoas e ansiedade nos doces. Aliás, sempre fui ansiosa, e quando a bendita me apertava, eu partia pros doces, sem dó. Queria era alívio imediato.

Em alguns anos, acabei engordando. Me dei conta certo dia, que sentei no carro e percebi, através da blusa, as banhas se dobrando na minha barriga. Fiquei horrorizada e pensei: "preciso mudar, preciso parar esse processo!". 

Procurei uma academia e comecei a malhar. Não gostei, não me identifiquei. Saí. Mas a situação não estava assim, tão ruim - pensei. E continuei na mesma toada. Tentei outra academia, fiquei um tempo, mas como não via resultados, desisti também. O interessante é que, nessa época, havia engordado, mas ainda estava dentro do peso que é considerado saudável para mim.

Procurei nutricionistas, endocrinologista, nutrólogo e cheguei a tomar remédios para emagrecer. Emagreci, mas a um preço alto. E, lógico, voltei a engordar novamente.

Na faculdade, me interessei por um rapaz (que hoje é meu marido). Para conquistá-lo, resolvi emagrecer pra valer. Comecei a levantar supercedo pra fazer caminhada, e assim emagreci, sem fazer grandes mudanças na alimentação, apenas caminhando. Fiz as pazes com meu corpo novamente.

Agora chega a época obscura. Não sei como, mas a partir daí comecei a engordar e não parei mais! Quando dei por mim, já estava com toda essa "robustez" de hoje. Será que interpretei o conforto de ter alguém ao meu lado, que me amava do jeito que eu era, como carta branca para a comilança desregrada? Pode ser...

Fui a uma nutricionista (muito boa por sinal), que me ensinou o que deveria comer, as modificações que deveria fazer na minha alimentação. Comecei a me esforçar pra comer verduras e legumes, baseada na ideia de que se os comesse dez vezes, passaria a gostar. Deu certo: passei a ingerir cenoura e beterraba sem ter arrepios. Também me dispus a tentar sabores novos, como a linhaça. Por fim, procurei uma psicóloga pra ajudar no processo. Estava tudo caminhando maravilhosamente bem, até que a nutri se mudou. E aí perdi o eixo. E a psico, nunca tinha rolado muita empatia mesmo, acabei abandonando o tratamento.

Só sei que, apesar de perceber o que estava fazendo comigo, não conseguia parar. Cheguei a pensar em virar bulímica, cheguei a pensar em comer pra valer pra poder ficar com obesidade mórbida e poder fazer cirurgia bariátrica. Entrei num início de depressão, desisti de qualquer mudança, resolvi que ia ser gorda pra sempre e comer até explodir, até as pessoas pararem de pegar no meu pé por acreditarem que eu não tinha mais salvação. Nessa época não tinha ânimo pra nada, só para comer. Desenvolvi compulsão alimentar e comia escondido, até me estufar e sentir mal, todos os dias.

Orei muito pra Deus me ajudar e me tirar desse estado depressivo, e consegui sair dele. Sempre tive pra mim que a origem dos meus problemas alimentares era psicológica, mas até hoje não sei bem o real problema dentro dessa minha "caixola". Cada vez mais gorda, procurei outros psicólogos, mas era eles começarem a cutucar as feridas e eu abandonava a terapia.

Na virada deste ano, havia chegado ao meu ápice: 88 kg! Nunca estive tão gorda em toda minha vida. O choque de realidade da balança aliado à minha imagem roliça no espelho me fez tomar uma atitude: 2012 seria o ano da mudança!

Procurei mais uma vez uma psicóloga. Porém, desta vez, tive o cuidado de escolher alguém inteirado no assunto. Encontrei a Rejane Sbrissa na internet, e adorei o fato de ela ser especializada em emagrecimento e ter sido, ela própria, uma ex-gorda. Estou em tratamento ainda, e compreendo cada vez mais que é preciso mudar a cabeça pra mudar o corpo.

Também comprei vários livros sobre emagrecimento, com foco no aspecto psicológico da coisa, e as leituras me deram um "gás" a mais.

Emagreci uns seis quilos, engordei mais três, de forma que no total, desde o início do ano, perdi apenas três. É, nem tudo são flores...

Mas decidi que desta vez o processo será lento como tem que ser. Às vezes bate aquela ansiedade, e a coisa degringola. Porém, procuro manter em mente: "devagar e sempre...". Ou melhor: pra sempre!

2 comentários:

  1. Oi Vivi.

    Nossa, eu ainda acho que o pior de tudo é controlar a ansiedade, né? Pra mim é.

    Mas, eu também acho que o melhor caminho do bom emagrecimento é o lento. Assim a gente vai aprendendo no meio do caminho!

    Boa sorte e obrigada por compartilhar sua história.

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  2. Eu engordei na época da faculdade também, comia um pratão de pedreiro no restaurante da UnB e só ia comer novamente 21h mais ou menos. Eu como muitos doces e muita comida, mas não como tanta besteira assim, pelo menos eu acho, kkk. Descobrir a intolerância à lactose me ajudou, por que eu perdi 7kg e não ganhei mais. Recentemente eu estava andando bastante e cortei doces, frituras, lactose, etc. e consegui emagrecer e chegar aos 76kg que estou hoje. Quero perder mais 10kg. Obrigada.

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